sexta-feira, 24 de junho de 2016

Carta a um homofóbico


Homofóbico, o que te incomoda?
O fato da gente ser livre e você estar preso na sua ignorância?

Homofóbico, o que te perturba?
A sua incapacidade de distribuir afeto, enquanto a gente não cansa de espalhar amor?

Homofóbico, porque te afeta?
Porque a nossa felicidade lembra da sua infelicidade?


Homofóbico, porque nos aniquila?
Pra matar aquilo que você quer esconder e não consegue?

Homofóbico, porque nos inveja?
Porque por onde a gente sente prazer, você sente desejo reprimido?

Homofóbico, porque nos agride?
Porque vc só pode bater na gente, enquanto a gente pode bater punheta pros outros?

Homofóbico, porque você é assim?

Só tenho uma coisa pra te dizer: você mata 49 e a gente ressurge com 999. Sabe por que? Porque a gente é mais forte que você. É isso mesmo. Você é covarde! Matar a gente não vai matar o medo que existe dentro de você. Não vai te tornar maior do que a sua mediocridade. Você é um fraco!

Às vezes somos tratados como a onça no episódio da tocha olímpica. A diferença é que nos amarram em uma corrente invisível, A gente até serve pra enfeitar o ambiente (porque os gays são engraçados, né?), mas se alguma coisa sai fora do esperado, alguma reação “anormal”, como beijo no shopping, mãos dadas na rua, afetos escancarados, jeitos afeminados; aí vêm os julgamentos como se fossem armas letais, pra dar fim a ameaça perturbadora. E você não se aguenta e nos mata, né homofóbico!? Como a onça.

Nós, gays, lésbicas, transexuais, bissexuais e travestis, queremos viver! Querem nos silenciar? Vamos gritar ainda mais alto. Não é qualquer sub-humano que vai nos calar. Sinto muito, Sr. Homofóbico, Apenas ACEITA, porque a gente veio pra ficar.


terça-feira, 10 de maio de 2016

Anormal é a sua ignorância, Paty querida!

Tenho saudades de quando eu assistia o Programa Silvio Santos para ficar rindo das câmeras escondidas, das brincadeiras bobas, das disputas com os artistas e tal. Fazia o meu domingo mais feliz!

De uns tempos para cá, notei, dentre uma brincadeira e outra, a opinião preconceituosa do homem do Baú em relação a homossexualidade. Não dei tanto crédito, pensei que fosse coisa da minha cabeça, pois a gente não espera escutar discursos distorcidos de pessoas que a gente admira.

No último domingo, meu dia estava correndo normalmente, quando tive a infelicidade de ligar a TV à noite no programa do Sílvio e ver o "jogo dos pontinhos". O apresentador, ao perguntar para os convidados se os mesmos eram a favor ou contra duas mulheres se beijarem, a sua filha Patrícia Abravanel, ao dar sua opinião, defecou pela boca. Disse que era contra pois as pessoas deveriam saber que homem é homem e mulher é mulher, que a televisão não deveria incentivar esse tipo de atitude porque NÃO ERA NORMAL e acaba deixando os adolescentes confusos. E finalizou: "mas não sou contra o homossexualismo."

Hã??? Isso só prova que uma pessoa estudada e rica não está imune de pensamentos moralmente preconceituosos. Gostar de pessoa do mesmo sexo não faz dela um ser anormal, mesmo porque, a sociedade definiu o que certo e errado baseado na heteronormatividade, que não serve de base para nada e que não representa muita gente. Ninguém incentiva ninguém a ser gay, tanto é que, se fosse assim, os filhos gays se influenciariam pelos pais que são héteros e isso não acontece. E outra: o termo homossexualismo não se usa mais, pois o final ISMO denomina doença e está comprovado que ser homossexual não é ser doente. Estudar às vezes é bom, né!?

O que me entristece é que, formadores de opiniões de massa, como essa tal de Patrícia, ao invés de ter um discurso que agrega toda a sociedade, faz de sua boca uma privada e que, infelizmente, muitos que a
assistem, seguem esses absurdos como se fossem verdade.

Seu Sílvio, ao invés de distribuir dinheiro para o povo, distribua educação para as suas filhas porque, com isso, ajudará muito mais a população.

Que uma coisa fique bem clara: Preconceito NÃO é opinião!


sábado, 30 de abril de 2016

A revolução do cuspe!!!

Cuspe - substantivo comum masculino. Saliva pura expelida pela boca, ou gosma catarral amarela ou esverdeada expulsa da garganta ou das fossas nasais pela saída bucal.

Quando não se tem uma justiça séria que pune quem oprime ou uma quando não há arma ao alcance do oprimido, então qualquer humilhação, porrada, xingamentos, socos e pontapés vindos do opressor é abafado pela hipocrisia. 

“Porque eu xingo mesmo, quem mandou ser viado? Eu não sou obrigado a contratar mulher, porque ela engravida e traz prejuízo pra minha empresa. Eu até tenho amigos negros, mas casar já e demais, né!?  Ó, mas eu não sou preconceituoso, porque no Brasil não tem mais disso”. E aí a gente deixa os filhos com a empregada e vai pro carnaval, cai na folia, homens se vestem de mulher, “mulatas” seminuas sambam e finge-se que nada acontece. Viva o carnaval da naturalização!

Mas enquanto alguns fingem na vida, outros sofrem. Porque a dor não é fantasiada e nem é destaque de carro alegórico, ela faz questão de cuspir na cara de quem sofre. Aí quando o oprimido reage e cospe na cara do opressor, a plateia se agita e o discurso de hipocrisia é ativado: “Ó, meu Deus, que absurdo! Cospe na cara dos outros e depois quer ser respeitado. Não se deve pagar com a mesma moeda e mimimi mimimi."

Ó, de boa,  não faz da sua boca uma privada. O cuspe não é falta de educação, é pedido de socorro. Você gosta de criar justificativas pra tudo, nessa masturbação ideológica, mas onde você estava quando mais um homossexual foi morto por crime de ódio? Ou quando uma mulher foi assediada, espancada e estuprada pelo próprio marido? Em que mundo você estava quando mais um preto foi parado e revistado em comando policial só pelo fato de ser negro? Ou quando uma travesti foi jogada no mundo da prostituição numa sociedade que não a emprega, só a exclui? Aí você vem me falar que o problema é o CUSPE??? VAI SE FERRAR!!!

Pra você que está incomodado, sinto te informar, mas VAI TER CUSPE SIM!! E se reclamar, vai ter de CUSPE de novo! Porque o cuspe é socialista, não tem gênero, cor, status e orientação sexual. Vamos fazer a revolução do cuspe. Trabalhadores, negros, homossexuais, mulheres, deficientes físicos, travestis e todos que são vítimas de opressão,  juntai-vos e vamos promover uma enxurrada de cusparada na cara dessa gente escrota que só julga e segrega cada dia mais. Eles não sabem a força que nós temos juntos.

Sociedade – substantivo comum feminino. Conjunto de pessoas que compartilham propósitos e ideias, muitas desses são como salivas puras expelidos pela boca, como uma gosma catarral amarela ou esverdeada expulsa da garganta ou das fossas nasais pela saída bucal. 

Nunca a definição de sociedade e cuspe se encaixaram tão bem. E viva a essa sociedade doente!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

E eu achando que Papai Noel não existe...

Noite de Natal. Ao redor da mesa estavam eu, meu pai, minha mãe, minha tia e dois sobrinhos, de 8 e 10 anos. O menor, que é mais sapeca, fez questão de fazer a oração (a família do meu irmão é evangélica).

Deu meia noite, nos demos a mão, o Luquinha fechou os olhinhos e com o jeito compenetrado e a voz suave falou:

- Senhor, abençoa essa casa, minha vó, meu vô, meu irmão, minha tia e o tio Xandy. Amém.

Foram simples as palavras, mas o suficiente para que eu chorasse. Como um serzinho tão pequenino tem tanta luz dentro dele, desejando o bem, enquanto nós adultos acumulamos orgulho, ego e egoísmo?

Nessa hora eu esqueci toda a "birra" que tenho das igrejas evangélicas e agradeci o Universo por esse momento puro e sublime.

Foi o presente de Natal mais lindo que ganhei!



sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Quando eu cheguei, a porta estava fechada.

Meu pai sempre dizia: “Filho, o mundo vai te dar vários amigos, mas os verdadeiros amigos sou eu e sua mãe.” Já minha mãe estufava o peito e complementava: “ Na hora do aperto, não é ‘sicrano’ e nem ‘fulano’ que vai te ajudar, sou eu e seu pai.” E hoje estou aqui, de pé, perdido diante de tantas promessas e chego a triste conclusão que eles me enganaram. Não me enganaram porque queriam meu mal, me enganaram porque queriam o meu bem, só que do jeito deles.

Lembro como se fosse hoje quando minha mãe chegou em mim e me perguntou se eu era gay. Olhei pra face dela e percebi que ela estava prestes a chorar. Ela já sabia a resposta. Eu falei um simples: “É claro, mãe”. E ela chorou. Eu vi a dor, ali na minha frente... é como se ela tivesse chorando pelo morte de alguém, de um filho que nunca vai ter, de um sonho que foi roubado, de um futuro predestinado.

Deu vontade de chacoalhar ela e gritar: "Tá, mas cadê a promessa que você me fez??? Vc prometeu que mesmo se o mundo desabasse, vc estaria do meu lado... E o meu mundo desabou, porque o meu mundo era você, mãe." Mas eu me calei.

Ninguém falou que a vida seria fácil, mas é foda saber que a sua essência faz sofrer quem mais você ama na vida. Se eu pudesse, eu arrancaria meus dois braços só pra te ver feliz. Só não me peça pra ser quem eu não sou, pra arrancar meu coração, porque aí eu morro, aos poucos. 

E deve ser triste morrer e continuar vivendo...



domingo, 11 de outubro de 2015

O armário é o mundo!!!


Pessoal, acabei de criar uma página no Facebook chamado "O armário é o mundo", destinada a luta pela causa LGBT e o extermínio de qualquer tipo de preconceito relacionada a orientação sexual e a identidade de gênero.

Curtam lá e vamos juntos construir um mundo IGUAL pra todos!!!



Endereço eletrônico:
https://www.facebook.com/oarmarioeomundo?pnref=story


domingo, 30 de agosto de 2015

Ainda somos os mesmos e vivemos, Elis???

Eu cresci ouvindo as músicas da Elis Regina, graças ao bom gosto dos meus pais. Segue abaixo um texto que li em um Sarau Cultural em homenagem a essa grande cantora, onde usei uma das músicas que mais gosto, “Como os nossos pais”, e fiz uma “mistureba” de ideias. Aí vai:

Não quero lhe falar meu grande amor, de coisas que aprendi nos discos e nos livros, porque os discos arranham e os livros omitem. Escondem a história de luta do povo oprimido e vangloriam a versão do vencedor.  Vencedor este, de uma vitória desleal, que mostra que nem sempre o bem vence no final. Quero lhe contar como eu vivi e tudo o que aconteceu comigo. Cresci sendo xingado de viado, Os negros, de macaco. As meninas, de fácil. Os pobres, de favelado. Os deficientes, de retardado.  

Viver é melhor que sonhar. Mas se não é o sonho, como é que vou respirar? Me diz, como é que eu vou aguentar? A vida vem leve como um soco no estômago que parece que nunca vai acabar. Mas eu sei que o amor é uma coisa boa. Mas também sei que qualquer canto é menor do que a vida de QUALQUER pessoa. Porque se não temos dinheiro e status, somos tratados como um qualquer. Mas são os conjuntos de quaisquer que faz a vida andar pra frente, prontos pro que der e vier. 

Por isso cuidado meu bem, há perigo na esquina. As esquinas que ficam as travestis, vítimas de uma sociedade que não abraça quem é diferente e que quer só ser feliz. As esquinas escondidas dentro de nós, que insistem em não mudar, em não atravessar pra outra calçada, em não virar a rua e dar um novo rumo pra todo o tipo de intolerância. Eles venceram e o sinal está fechado pra nós que somos jovens. Porque o poder parece que venceu: veste terno, fala palavras bonitas, joga frases de efeito mas se suja só por causa de dinheiro. Dinheiro da saúde, da educação, da cultura, da creche, da merenda, da luta, do suor, do sangue meu e seu. E se o sinal está vermelho pra quem luta, então que sejamos daltônicos, ou vai continuar sendo um simples anônimo? 

Pra abraçar seu irmão e beijar sua menina, na rua. É que se fez o seu braço, o seu lábio e a sua voz. Braço pra lutar, lábio pra argumentar e a voz pra gritar. Lutar pelas injustiças que insistem em matar. Argumentar contra o que a mídia e o senso comum insistem em internalizar. Gritar pra que qualquer tipo de opressão não possa dominar. 

Já faz tempo eu vi você na rua. Cabelo ao vento, gente jovem reunida. Porque a rua é espaço pra quem está indignado... mas CUIDADO!!! Cuidado pra não ser só mais um capacho. Que a sua luta não seja usado por partidos mal intencionados. Que o seu ideal seja revolucionário. Na parede da memória, esta lembrança é o quadro que dói mais. Sabe porque dói? Porque distorceram nossas lembranças e nossa história. Penduram na sala principal, um quadro da família tradicional brasileira, como se isso nos representasse. Nos empurram goela abaixo um Deus Branco, que prega amor mas condena os gays, é bondoso mas criou o inferno pra quem sai da linha. PARA!!! Para e pensa, o mundo pedindo SOCORRO e ainda somos obrigados a escutar discursos morais preconceituosos enfeitados de amor e bem querer? A gente não é burro. 

Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos. Será que fizemos tudo, o bastante? Será que nossos atos refletem as nossas palavras? E será mesmo que ainda somos os mesmos? Assim como não dá pra entrar no mesmo rio duas vezes porque ele nunca vai ser o mesmo, porque esta em constante transformação, então que sejamos como os rios de águas cristalinas, não nos deixando poluir com a injustiça, a ganância e a hipocrisia. Só assim, não seremos os mesmos e não viveremos como os nossos pais. Seremos e viveremos bem melhores.